Amor-próprio também é sobre a forma como você se permite amar
Eu sempre vejo muita gente falando de amor-próprio como se fosse sobre não precisar de ninguém, como se fosse sobre estar bem sozinha o tempo todo, ser forte, não sentir falta, não se apegar, não criar expectativas. Mas eu não acho que seja só sobre isso. Pra mim, amor-próprio não é fingir que a gente não quer amor. Não é virar uma pessoa fria, fechada ou impossível de alcançar. Amor-próprio também é sobre aprender a reconhecer o tipo de amor que não diminui a gente.
Porque a verdade é que amar é bonito. Querer ser amada também é bonito. Desejar parceria, carinho, presença e cuidado não faz ninguém fraca. O problema começa quando a gente confunde amor com esforço demais. Quando a gente acha que amar é insistir até doer, aceitar pouco, esperar demais, se adaptar o tempo inteiro e ir se perdendo aos poucos só pra caber na vida de alguém.
E eu acho que muitas mulheres já passaram por isso em algum momento. A gente começa cedendo uma coisa aqui, aceitando outra ali, fingindo que não se incomodou, tentando entender demais o outro, tentando ser mais leve, mais fácil, mais compreensiva. Quando percebe, já não sabe mais se está vivendo um amor ou tentando provar o próprio valor.
Pra mim, amor-próprio mora muito nesse lugar. No momento em que você entende que não precisa convencer ninguém a te escolher direito. Que você não precisa implorar por presença, por respeito, por clareza ou por reciprocidade. Que intensidade não é a mesma coisa que amor. Que saudade não é motivo suficiente pra voltar para um lugar que te machuca. Que gostar de alguém não deveria significar gostar menos de você.
Ao mesmo tempo, eu também acredito que amor-próprio não é sair de tudo na primeira dificuldade. Não é desistir de amar. Não é transformar toda decepção em armadura. Às vezes, amor-próprio é ir embora. Mas às vezes também é ficar e conversar com honestidade. É se permitir tentar de novo, mas sem abandonar quem você é no processo. É abrir espaço para o amor, mas sem entregar sua paz como moeda de troca.
Acho que existe uma diferença enorme entre um amor que expande e um amor que encolhe. O amor que expande faz você se sentir mais você. Ele não compete com os seus sonhos, não te coloca em dúvida o tempo todo, não faz você pedir desculpas por ser intensa, sensível, ambiciosa, carinhosa ou cheia de planos. Ele não exige que você fique menor pra caber na vida de alguém.
E talvez esse seja um dos maiores aprendizados da vida adulta: entender que o amor que vale a pena não pede que você se perca pra ser escolhida. Ele não apaga sua identidade. Ele não te afasta das suas amigas, dos seus projetos, da sua essência, da sua alegria. Um amor saudável não briga com o seu amor-próprio. Ele caminha junto com ele.
Dentro da GFA, eu penso muito sobre isso também. Porque quando a gente fala de amor, não está falando só de relacionamento romântico. Existe amor em amizade. Existe amor em comunidade. Existe amor em uma mulher acolhendo a outra, em uma conversa sincera, em uma mesa cheia de histórias, em um grupo onde você pode chegar sem conhecer ninguém e, aos poucos, se sentir parte de alguma coisa.
Amor-próprio também é se colocar em ambientes onde você floresce. É escolher estar perto de pessoas que te lembram da sua força, da sua beleza, da sua potência e da sua capacidade de recomeçar. É parar de achar que você precisa atravessar tudo sozinha. É entender que pertencimento também cura.
No fim, eu não acho que amor-próprio e amor sejam coisas opostas. Pelo contrário. Eu acho que o amor-próprio ensina a gente a amar melhor. Com mais verdade, mais calma, mais presença e menos abandono de si.
Que a gente nunca deixe de acreditar no amor. Mas que, antes de qualquer coisa, a gente nunca mais aceite um amor que faça a gente esquecer de quem é.


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